Argentina, el fracaso del FMI y el contagio del “efecto Tango” a los países emergentes/ O fracasso do FMI na Argentina e o contágio do »feito Tango» nos países emergentes

 

Rodolfo Koé Gutiérrez|

 El Fondo Monetario Internacional se encuentra en una encrucijada al fracasar el salvataje de la economía macrista. Dejar caer a la Argentina sería un fiasco estrepitoso que después de otorgar unos de los créditos más grande de su historia, el programa naufragara a los tres meses, poniendo en riesgo de contagio a otras economías: el Efecto Tango está haciendo temblar al FMI y al resto de los países denominados emergentes.

Un documento interno del FMI, escrito por Lusine Lusinyan, del equipo encargado del seguimiento de Argentina, revela las futuras exigencias del organismo: flexibilidad laboral (despidos baratos y empleo desregulado), más importaciones y menos impuestos a las empresas.

La apuesta del gobierno de Mauricio Macri era que el acuerdo por un monto record de 50 mil millones de dólares permitiera reabrir las puertas del financiamiento externo, que Wall Street volviera a prestarle a la Argentina a partir de la confianza entregada por el Fondo. Esa jugada no tuvo el resultado esperado y ahora no sólo el mercado internacional no abre la billetera, sino que cada vez es más complicado conseguir financiamiento en pesos y, fundamentalmente, en dólares en el mercado local.

El economista Alfredo Zaiat señala que la posición de Christine Lagarde, mandamás del FMI, quedaría debilitada, como no sucedió en 2007 cuando fue condenada en Francia por “negligencia” en el manejo de fondos públicos siendo ministra de Economía, sino por haber dilapidado la lenta tarea de reconstrucción de reconocimiento internacional del Fondo a partir de la crisis internacional de 2008, luego de los varios fracasos acumulados en la década del ‘90.

A menos de tres meses de pactar un acuerdo, con metas cuantitativas muy precisas en materia de tasa de inflación, monto mínimo de reservas internacionales netas y déficit fiscal, en dos de esas tres variables el gobierno de Macri no puede cumplirlas.Lo que preocupa al FMI es el riesgo de contagio a otras economías pueda estar siendo generado por el naufragio de la economía macrista: ya hay un alerta en los mercados emergentes.

La crisis ha lanzado en forma desesperada al equipo económico macrista hacia las cuentas de los bancos, debilitándolas así. La experiencia argentina enseña que no es aconsejable despertar dudas acerca de los que hacen los bancos con el dinero de los ahorristas.

Fracaso

Luis Caputo y Mauricio Macri

El trilema económico de Mundell-Fleming sostiene que es imposible manejar en equilibrio simultáneamente el tipo de cambio, la tasa de interés y la política monetaria en una economía abierta y con desregulación del mercado de capitales. En esas condiciones macroeconómicas, sólo se puede controlar dos de esas tres variables. La economía macrista muestra, en cambio, que no puede con ninguna de las tres variables. Cuando eso pasa, se está frente a un problema de solvencia de la deuda, señala  el economista Santiago Mancinelli.

No pudo reactivar la economía bajando la tasa de interés sin afectar el tipo de cambio y la política monetaria. Ni aún subiendo mucho la tasa de interés pudo atraer capitales del exterior con destino al carry trade. También se enfrenta al dilema de no renovación de las Letras del Banco Central (Lebac) y ante la imposibilidad de manejar la política monetaria. Tampoco puede establecer un tipo de cambio de equilibrio sin que esto afecte la tasa de interés y los pasivos monetarios.

Enfrenta ahora el peligro de la salida masiva de capitales que disparará una mayor devaluación. Los intentos por controlar el valor de la moneda mediante el sacrificio de reservas tampoco pudo contener la devaluación, que impulsó la aceleración del retiro de capitales y el traslado a precios con impacto en el nivel de actividad interno. añade Mancinelli.

La actual conducción del gobierno está integrada por representantes de fracciones del capital concentrado del sector financiero, agroexportador, de servicios públicos y un sector de construcción vinculado con la obra pública cartelizada. Economistas de la ortodoxia, oficiando de representantes del lobby financiero, proponen la dolarización de la economía.

El 28 de diciembre de 2017, el gobierno había anunciado un cambio de la meta de inflación con que había sido aprobado el Presupuesto 2018, elevándola de ocho a 15 por ciento. Para este año estaba previsto un tipo de cambio promedio de 21,21 pesos, pero hoy –tras la aplicación de las recetas del FMI- la inflación proyectada para todo el año tiene un piso de 36 por ciento. Y no se observa que haya un tipo de cambio de equilibrio cuando su aumento se traspasa a precios, impacto que se potencia cuando el gobierno ha dolarizado las tarifas de servicios públicos y los precios de los combustibles.

*Periodista economico argentino, analista asociado a al Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE, www.estrategia.la)

 

VERSIÓN EN PORTUGUÉS

O fracasso do FMI na Argentina e o contágio do »feito Tango» nos países emergentes
Por Rodolfo Koé Gutiérrez

O Fundo Monetário Internacional (FMI) se encontra numa encruzilhada após a sua tentativa de salvar a economia macrista fracassar. Deixar a Argentina cair seria um fiasco gigantesco, depois de entregar ao país o maior empréstimo de sua história e ver o programa naufragar em apenas três meses. Mas o pior é a possibilidade de colocar outras economias em risco de contágio: o Efeito Tango está fazendo os técnicos do organismo tremerem, e também muitos países denominados “emergentes”.

Um documento interno do FMI, escrito por Lusine Lusinyan, da equipe encarregada do seguimento do programa para a Argentina, revela as futuras exigências do organismo: flexibilidade do trabalho (demissões baratas e emprego desregulado), mais importações e menos impostos às empresas.

A aposta do governo de Mauricio Macri era que o acordo, por um montante recorde de 50 bilhões de dólares, permitisse reabrir as portas do financiamento externo, que Wall Street voltasse a emprestar à Argentina a partir da confiança outorgada pelo Fundo. Essa jogada não deu certo, e agora não só o mercado internacional não abre a carteira como fica cada vez mais complicado conseguir financiamento em pesos e, fundamentalmente, em dólares no mercado local.

O economista Alfredo Zaiat mostra que a posição de Christine Lagarde, manda-chuva do FMI, ficaria fragilizada se isso acontecesse – como ocorreu em 2007, quando foi condenada na França por “negligência” no manejo de fundos públicos, sendo ministra da Economia –, já que isso significaria dilapidar a lenta tarefa de reconstrução do reconhecimento internacional do Fundo, a partir da crise internacional de 2008, após os vários fracassos acumulados nos Anos 90.

A menos de três meses de pactuar um acordo, com metas quantitativas muito precisas em matéria de taxa de inflação, valores mínimos de reservas internacionais líquidas e déficit fiscal, o governo Macri já se vê na impossibilidade de cumprir ao menos dois dessas três variáveis. O que preocupa o FMI é que o risco de contagio a outras economias que pode ser gerado pelo naufrágio da economia macrista. Já existe um alerta nos mercados emergentes.

A crise fez a equipe econômica macrista se lançar de forma desesperada às contas e reservas do país, o que acabou por esgotá-las. A experiência argentina ensina que não é aconselhável despertar dúvidas sobre o que os bancos fazem com o dinheiro dos clientes.

Fracasso

O “trilema” econômico de Mundell-Fleming sustenta que é impossível manejar em equilíbrio, simultaneamente, o tipo de câmbio, a taxa de juros e a política monetária, numa economia aberta e com desregulação do mercado de capitais. Nessas condições macroeconômicas, só se pode controlar duas dessas três variáveis. “A economia macrista mostra, porém, que não é capaz de controlar nenhuma das três variáveis. Quando isso acontece, se está diante de um problema de solvência da dívida”, comenta o economista Santiago Mancinelli.

Não foi possível reativar a economia baixando a taxa de juros e sem afetar o tipo de câmbio e a política monetária. Nem mesmo subindo muito a taxa de juros, o governo foi capaz de atrair capitais do exterior. Também se enfrentou o dilema de não renovação dos títulos do Banco Central (os chamados “lebacs”), com a impossibilidade de manejar a política monetária. Tampouco teve sucesso ao tentar estabelecer um tipo de câmbio de equilíbrio sem que isso afete a taxa de juros e os passivos monetários.

Agora, enfrenta o perigo da fuga massiva de capitais que disparará uma maior desvalorização do peso. “As tentativas de controlar o valor da moeda mediante o sacrifício de reservas tampouco podem conter a desvalorização impulsada pelo aumento da saída de capitais do país e o efeito disso nos preços, com o impacto no nível de atividade interno”, acrescenta Mancinelli.

A atual condução do governo está integrada por representantes de frações do capital concentrado, dos setores financeiro, agroexportador, de serviços públicos e o cartel da construção civil. Nesse contexto, economistas da ortodoxia, atuando como representantes do lobby financeiro, propõem a dolarização da economia.

No dia 28 de dezembro de 2017, o governo chegou a anunciar uma mudança nas metas de inflação, a partir do orçamento aprovado para 2018, elevando as cifras de 8 a 15%. Para este ano, estava previsto um tipo de câmbio de 21,21 pesos em média, mas hoje, e mesmo após aplicação das receitas do FMI a inflação projetada para todo o ano já tem um piso de 36% e o dólar já superou a casa dos 30 pesos – e não há quem creia que isso possa ser reversível a curto ou médio prazo. Não parece ser possível equilibrar essas cifras quando os aumentos impactam automaticamente nos preços, graças à dolarização das tarifas de serviços básicos (água, luz e gás) e do preço dos combustíveis impulsada pelo governo.

Rodolfo Koé Gutiérrez é jornalista argentino e analista associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)

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