Colombia quiere impedir que los alimentos y medicinas lleguen a Venezuela/Colômbia quer impedir que alimentos e remédios cheguem à Venezuela

Victoria Korn|

Tras la Cumbre de la OEA en Lima, el Ministerio de Hacienda colombiano y Departamento del Tesoro estadounidense anunciaron la creación de un «grupo de trabajo estratégico» con el objetivo único de perseguir la corrupción en Venezuela, liderado por la Unidad de Información y Análisis Financiero de Colombia (UIAF) y con el apoyo de la inteligencia panameña y mexicana, países por demás permeados por el narcotráfico y la corrupción asociada al lavado de capitales.

Con la creación de este grupo, se continúan cerrando las puertas a Venezuela para que adquiera los alimentos que necesita, especialmente de los países vecinos, y sí declarar una emergencia humanitaria que de pie  una injerencia extranjera o invasión.

Juan Manuel Santos, en la recta final de su mandato, es quien trata de imponer un tono agresivo para que Washington avance en fabricar un consenso regional para escalar las agresiones financieras contra Venezuela, tras el fracaso en Lima. Trata de cohesionar  los gobiernos de derecha de América del Sur, tarea ardua ya que se enfrenta a una guerra de egos.

La suspensión de seis países de su participación en Unasur, foro donde una propuesta injerencista jamás lograría consenso, se suma a la preocupante presencia de siete bases militares de EEUU en Colombia y su condición de capataz en la industria trasnacional del narcotráfico.

El grupo puso su mirada sobre la importación de alimentos que realiza Venezuela e intenta convertirse en una herramienta diplomática para garantizar la implementación del bloqueo económico impuesto por EEUU que no sólo atacaría al gobierno Bolivariano, sino también a las empresas internacionales que comercien con el país.

Mauricio Cárdenas, ministro de Hacienda colombiano, señaló que «Este dinero sale de Venezuela para comprar alimentos, pero es retenido por un gran número de compañías y personas con vínculos con el régimen venezolano». Dijo tener bien identificadas a las empresas colombianas que aún comercian con Caracas, y anunció que ampliarán sus investigaciones a países donde existen otras empresas que exportan alimentos hacia Venezuela.

De nuevo es Colombia la que bloquea las exportaciones que anualmente realiza hacia Venezuela: semillas, artículos de limpieza, medicinas y alimentos y Vhora el gobierno de Santos condena también al sector del agro colombiano que en gran medida se beneficia de la importación de fertilizantes desde Venezuela.

Según cifras oficiles, en 2017 300 mil dosis de insulina pagadas por el Estado venezolano no llegaron al país porque el banco estadounidense Citibank boicoteó la compra de este importante insumo, y también se interrumpió el desembarco de 18 millones de cajas CLAP (combo de 19 productos subsidiados con arroz, pasta, granos, aceite, leche en polvo, mayonesa y latas de atún) a Venezuela debido a las trabas impuestas por el sistema financiero estadounidense.

Asimismo, el laboratorio colombiano BSN Medical impidió la llegada de un cargamento de Primaquina – para tratar la malaria-, mientras 23 operaciones en el sistema financiero internacional fueron devueltas (39 millones de dólares para alimentos, insumos básicos y medicamentos), y en noviembre mil 650 millones de dólares destinados a la compra de alimentos y medicinas fueron secuestrados por la empresa de servicios financieros Euroclear.

La fachada es la lucha anticorrupción, pero la creación de este grupo tiene el objetivo no sólo de endurecer el bloqueo económico contra Venezuela, sino de darle un marco institucional a nivel diplomático a un conjunto de operaciones de bloqueo financiero que se han intensificado desde 2017 y que encuentran en Colombia un portavión clave.

La lucha anticorrupción

La realidad suele matar algunos sueños, porque donde estalló un escándalo de corrupción fue en las fuerzas militares colombianas, donde unidades de inteligencia adscritas al Comando General de las Fuerzas Militares, generales del Ejército y la Armada y hasta un ex comandante, fueron protagonistas de millonarios desfalcos durante más de cuatro años, sin que esta especialísima unidad –la UIAF- se percatara o creara un grupo con EEUU para investigarlos.

Es vox populi que buena parte de estos miles de millones robados provengan de los fondos que EEUU entrega anualmente  través del Plan Colombia, para financiar la guerra.

Cuatro años atrás, también con Santos en la presidencia, se denunció que gran parte del dinero de los contratos adjudicados por el ejército colombiano entre 2012 y 2013 terminó en las cuentas bancarias de militares acusados de asesinar a centenares de personas. Todo parece indicar que la UIAF  prefiere centrar los esfuerzos fuera de su jurisdicción.

*Periodista venezolana asociada al Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE, www.estrategia.la)


EN PORTUGUES

Colômbia quer impedir que alimentos e remédios cheguem à Venezuela

Por Victoria Korn

Após a Cúpula da Américas de Lima, evento organizado pela OEA (Organização dos Estados Americanos), o Ministério de Fazenda colombiano e o Departamento do Tesouro estadunidense anunciaram a criação de um “grupo de trabalho estratégico” com o objetivo único de perseguir a corrupção na Venezuela, liderado pela Unidade de Informação e Análise Financeira da Colômbia (UIAF) e com o apoio da inteligência panamenha e mexicana – países assolados pelo narcotráfico e pela corrupção associada à lavagem de dinheiro.

Com a criação deste grupo, a ideia é continuar fechando as portas à Venezuela para que o vizinho adquira os alimentos que necessita, especialmente dos demais países da região, e a partir daí declarar uma emergência humanitária que dê pé uma intervenção estrangeira ou invasão.

Juan Manuel Santos, na reta final de seu mandato, é quem tenta de impor um tom agressivo para que Washington avance em fabricar um consenso regional para reforçar as agressões financeiras contra Venezuela, após o fracasso em Lima. O plano estadunidense consiste em reunir os governos de direita de América do Sul, tarefa árdua, já que se enfrenta a uma guerra de egos.

A decisão conjunta de seis países de suspender sua participação na Unasul, fórum onde uma proposta intervencionista jamais teria consenso, é mais um indício dessa estratégia, junto com a preocupante presença de sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia e sua condição de capataz na indústria transnacional do narcotráfico.

O grupo resolveu atacar a importação de alimentos que a Venezuela realiza e tenta se instalar como ferramenta diplomática para garantir a implementação do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos – um pacote de medidas que no só atacaria o governo bolivariano, como também as empresas internacionais que comercializam produtos com o país.

Mauricio Cárdenas, ministro da Fazenda colombiano, afirmou que “este dinheiro sai da Venezuela para comprar alimentos, mas é retido por um grande número de companhias e pessoas com vínculos com o regime venezuelano”. Disse ter bem identificadas as empresas colombianas que ainda comercializam produtos com Caracas e anunciou que ampliarão suas investigações a países onde existem outras empresas que exportam alimentos à Venezuela.

De novo, é a Colômbia a que bloqueia as exportações que anualmente realiza à Venezuela: sementes, artigos de limpeza, remédios e alimentos. Agora, o governo de Santos condena também o setor do agro colombiano que, em grande medida se beneficia da importação de fertilizantes à Venezuela.

Segundo as cifras oficiais, em 2017, 300 mil doses de insulina compradas pelo Estado venezuelano não chegaram ao país porque o banco estadunidense Citibank boicotou a compra deste importante artigo, e também se interrompeu o desembarque de 18 milhões de caixas CLAP (pacote de 19 produtos subsidiados como arroz, pastas, grãos, azeite, leite em pó, maionese e latas de atum) a Venezuela devido às travas impostas pelo sistema financeiro estadunidense.

Ainda assim, o laboratório colombiano BSN Medical impediu a chegada de um carregamento de primaquina – para tratamento da malária –, enquanto 23 operações no sistema financeiro internacional foram devolvidas (39 milhões de dólares para alimentos, artigos básicos y medicamentos). Em novembro já havia ocorrido outro caso, de 1,6 bilhão de dólares destinados à compra de alimentos e remédios que foram sequestrados pela empresa de serviços financeiros Euroclear.

A fachada é a luta anticorrupção, mas a criação deste grupo tem o objetivo não só de endurecer o bloqueio econômico contra a Venezuela, como de dar um ar institucional às medidas intervencionistas intensificadas desde 2017, e que encontram na Colômbia um aliado decisivo.

A luta anticorrupção

A realidade costuma pregar algumas peças. Por exemplo, nestes últimos dias foi revelado um escândalo de corrupção, mas não na Venezuela e sim nas forças militares colombianas. Nas unidades de inteligência ligadas ao Comando Geral das Forças Militares, generais do Exército e da Marinha, e também um ex-comandante, foram protagonistas de milionários desviou recursos durante mais de quatro anos, sem que esta especialíssima unidade (a UIAF) percebesse ou criasse um grupo junto com os Estados Unidos para investigar o caso.

O bom senso indica que boa parte dos bilhões de dólares roubados provém dos fundos que os Estados Unidos entregam anualmente, através do Plano Colômbia, para financiar a guerra às drogas.

Quatro anos atrás, também com Santos na presidência, outro caso parecido virou notícia. Naquele então, que grande parte do dinheiro dos contratos adjudicados pelo Exército colombiano (entre 2012 e 2013) terminou nas contas bancarias de militares acusados de assassinar centenas de pessoas. Tudo parece indicar que a UIAF prefere centrar seus esforços fora de sua jurisdição.

Victoria Korn é jornalista venezuelana associada ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)

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